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Capa de O Velho Medo do Novo
Em desenvolvimento

O Velho Medo do Novo

Introdução

O Velho Medo do Novo investiga uma reação humana recorrente: a tendência de receber rupturas técnicas, estéticas e sociais menos como expansão de possibilidades do que como ameaça à ordem conhecida. Em vez de tratar esse medo como simples ignorância ou atraso, o livro procura mostrar sua estrutura profunda — o que exatamente parece estar em jogo, em cada época, quando o novo desorganiza memória, presença, autoria, ofício, moral, atenção, costume, poder e a própria imagem do humano.

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Trabalho com tecnologia desde que me entendo por gente. Aprendi a programar aos 12 anos. Foi assim que ganhei a vida, criei família, atravessei décadas. Não aprendi a fazer outra coisa — e talvez nem quisesse. Lembro perfeitamente do dia em que a empresa onde tive meu primeiro emprego apresentou microcomputadores a uma escola da cidade. Eu tinha 15 anos. Pediram que eu fizesse um programinha simples para interagir com os visitantes. Algo que quebrasse o gelo — ou, mais honestamente, o medo — entre homem e máquina. Fiz isso: 10 PRINT "QUAL E O SEU NOME?" 20 INPUT N$ 30 PRINT 40 PRINT "OLA, ";N$;"! SEJA BEM-VINDO!" 50 INPUT "APERTE ENTER PARA CONTINUAR";A$ 60 PRINT 70 GOTO 10 Em português claro: peça o nome, cumprimente, espere, repita. Logo no primeiro dia, o diretor da escola apareceu com um amigo. Perguntaram algumas coisas técnicas. Em seguida, ele digitou o nome. A TV exibiu: “Olá, Pedro! Seja bem-vindo!” O diretor cutucou o amigo, brutalmente assustado, e disse: — Olha! Olha! O filho da p*** ainda responde! Ali estava, em estado puro, o espanto diante do que não se entende.

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